Ficha Tecnológica: Reaterro, nivelamento e compactação de solo em vala com galeria técnica
Materiais
- Solo não coesivo do grupo I (areia fina/média, umidade ótima ±20%)
- Solo coesivo do grupo II (argilas siltosas, argila, umidade ótima ±10%)
- Areia limpa (para assentamento de redes de cabos e tubos-camisa, fração 0,5–2,0 mm)
- Sementes de gramíneas (Poa pratensis, Festuca rubra) para recuperação paisagística
- Combustíveis e lubrificantes (óleo diesel, óleo hidráulico, graxas lubrificantes)
Equipamentos
- Escavadeira hidráulica de nivelamento com lança telescópica (raio de escavação até 6,8 m, caçamba de 0,63 m³)
- Trator de esteiras (bulldozer) com peso operacional de 7–10 t (largura da lâmina 2,5–2,6 m)
- Caminhão basculante com capacidade de carga de 4,5–10 t (volume da caçamba de 3–8 m³)
- Placa vibratória reversível de classe pesada (massa 200–400 kg, produtividade de até 750 m²/h)
- Compactador de percussão (sapo) elétrico ou a gasolina (produtividade em torno de 50 m²/h)
- Rompedor hidráulico acoplado com placa compactadora para escavadeira
- Rolo compactador vibratório de solo autopropelido (peso operacional 6–15 t)
- Penetrômetro dinâmico ou conjunto de anéis volumétricos para controle da densidade do solo
1. Disposições gerais e âmbito de aplicação
A ficha tecnológica foi desenvolvida para a execução de trabalhos de terraplenagem em uma frente de trabalho típica com 50 m de comprimento. O objeto é uma vala com profundidade de até 3 m, na qual está montada uma galeria técnica com dimensões de 1,8 m (largura) por 1,9 m (altura). Os trabalhos são executados utilizando solos coesivos (argila, argilas siltosas) e não coesivos (areia, areias argilosas), mantendo a sua umidade natural ótima. Antes do início do reaterro, todas as estruturas subterrâneas devem passar por um procedimento de aceitação técnica, testes de impermeabilização e controle topográfico, com a assinatura dos respectivos termos de recebimento de serviços ocultos.
O reaterro de valas para redes de serviços subterrâneos deve ser executado estritamente após a instalação das tubulações e dispositivos da rede. Nesse processo, é de importância crítica adotar medidas preventivas contra o deslocamento longitudinal e transversal dos elementos instalados, bem como contra danos mecânicos aos revestimentos impermeabilizantes e anticorrosivos. A distância mínima da linha de talude da vala até o início da pilha de solo na borda deve ser de pelo menos 0,7 m para profundidades de vala de até 3 m, e não inferior a 1,0 m para profundidades superiores a 3 m.
O processo de reaterro divide-se em duas etapas essenciais: a compactação manual (ou levemente mecanizada) dos chamados «espaços laterais» (zonas entre a parede da galeria e a vala) e o posterior reaterro mecanizado da parte principal da vala. O uso de equipamento pesado de construção na zona localizada diretamente sobre a tubulação ou galeria é estritamente proibido até a formação de uma camada de amortecimento protetora com a espessura exigida.
- Concluir totalmente a montagem da galeria, verificar a impermeabilização e remover da vala todos os materiais auxiliares e entulho de construção.
- Emitir os termos de recebimento de serviços ocultos e obter autorização por escrito da fiscalização técnica para iniciar o reaterro.
- Realizar o corte e o armazenamento da camada vegetal do solo em locais especificamente designados no canteiro de obras.
- Preparar as pilhas de solo (coesivo ou não coesivo), verificando a sua composição granulométrica e o nível de umidade.
2. Tecnologia de reaterro em camadas
A formação do maciço de solo na vala começa com o reaterro e compactação dos espaços laterais manualmente. Esses espaços são preenchidos uniformemente de ambos os lados da galeria em camadas com espessura não superior a 0,15–0,25 m. A simultaneidade do reaterro de ambos os lados é uma condição obrigatória para evitar o deslocamento lateral da estrutura. A camada de proteção inicial sobre a geratriz superior da tubulação ou galeria deve ter no mínimo 0,2 m com compactação manual. No período de inverno, para serviços frágeis (plástico, cerâmica), a espessura desta camada é aumentada para 0,5 m.
Para tubulações metálicas e de concreto armado, a espessura mínima da camada de proteção compactada com equipamento leve mecanizado é de 0,25 m, e para as de plástico é de 0,4 m. Se a vala cruzar trechos de intersecção com rodovias existentes ou projetadas, o reaterro em toda a profundidade será feito exclusivamente com areia, com compactação até um coeficiente de K=0,98. Ao instalar cabos no fundo da vala, forma-se um leito de areia fina limpa com 0,1 m de espessura, e com uma camada semelhante (0,1 m) o cabo é coberto antes da colocação do solo principal.
O reaterro posterior da vala, acima da camada de proteção, é executado com escavadeiras de nivelamento e tratores de esteiras (bulldozers). É permitida a colocação de camadas com a seguinte espessura (para uso de rompedores hidráulicos pesados e rolos vibratórios): para areia — até 0,7 m; para areias argilosas e argilas siltosas — até 0,6 m; para argila — até 0,5 m. O trator de esteiras trabalha a pilha de solo através de passes frontais e oblíquos, deslocando o solo para a vala em seções consecutivas, o que minimiza a distância de percurso do equipamento carregado.
- Executar o reaterro em camadas (não mais que 0,25 m) dos espaços laterais de ambos os lados da galeria com uma escavadeira de nivelamento ou manualmente.
- Lançar a camada de proteção de solo sobre a cobertura da galeria (0,2–0,5 m, dependendo do tipo de tubos e da estação) sem o uso de equipamento pesado.
- Iniciar o reaterro em camadas da zona superior da vala com trator de esteiras, distribuindo o solo em camadas de 0,5–0,7 m (dependendo do tipo de solo).
3. Métodos e regimes de compactação mecanizada
A compactação do solo deve ser realizada com a sua umidade ótima: para solos coesivos, a tolerância é de ±10%; para solos não coesivos, é de ±20% da umidade ótima de Proctor. Em condições confinadas e nos espaços laterais, são utilizados compactadores elétricos (produtividade de cerca de 50 m²/h) ou placas vibratórias reversíveis (produtividade de até 750 m²/h). Ao trabalhar com equipamento de compactação, o processo inicia-se a partir da parede da galeria em direção ao talude da vala. Cada passe subsequente da máquina de compactação deve sobrepor o rastro do passe anterior em pelo menos 0,1–0,2 m.
Para a compactação em camadas de solos não coesivos, recomendam-se métodos de vibração e vibrocompactação. Solos pouco coesivos e coesivos requerem rolos estáticos, compactação por impacto ou métodos combinados. Com uma espessura de camada de 20–25 cm, utilizam-se compactadores elétricos leves, e para camadas de 40–75 cm, pesadas placas vibratórias e rompedores compactadores hidráulicos acoplados a escavadeiras. As camadas superiores (até uma profundidade de 1,0–1,2 m a partir da superfície do terreno) são compactadas por rolos compactadores vibratórios autopropelidos com peso de 6–15 toneladas.
Durante a execução dos trabalhos em condições de temperaturas negativas (no inverno), a compactação de solo congelado é proibida. O solo descongelado deve ser compactado até atingir um coeficiente K=0,98 antes de congelar. O tempo até o congelamento depende da temperatura ambiente: com geadas moderadas é de 90–120 minutos; com frio intenso, reduz-se para 20–30 minutos. Isso exige alta intensidade de trabalho e compactação imediata de cada camada colocada.
- Verificar a umidade do solo de reaterro; se necessário, umidificar ou secar até atingir os valores ótimos.
- Compactar o solo nos espaços laterais com compactadores elétricos manuais (camadas de 15–25 cm), movendo-se da galeria para as paredes da vala.
- Compactar as camadas principais com placas vibratórias pesadas ou rolos compactadores (camadas de 40–75 cm) com sobreposição de 0,1–0,2 m.
- Em condições de inverno, colocar o solo em frentes de trabalho curtas e compactar no prazo de 30 a 120 minutos para evitar o congelamento.
4. Controle de qualidade e critérios de aceitação
O controle de qualidade dos trabalhos de terraplenagem é realizado continuamente e inclui a verificação da composição granulométrica do solo, sua umidade e a densidade alcançada. O grau de compactação do solo é controlado por meio de coleta de amostras (pelo método do anel volumétrico ou sondagem dinâmica penetrométrica) e comparação da massa específica aparente seca do solo com a densidade máxima padrão. A densidade mínima permitida do esqueleto é de: 1,7 t/m³ para areias finas, 1,65 t/m³ para areias argilosas, 1,6 t/m³ para argilas siltosas e 1,5 t/m³ para argilas.
A verificação da densidade é realizada em cavas de inspeção, posicionadas ao longo do eixo da vala com um espaçamento não superior a 50 m. A coleta de amostras ocorre em profundidades fixas: 0,3 m, 0,5 m, 0,9 m, 1,2 m e 1,5 m da superfície de cada camada inspecionada. Em trechos de vala que cruzam faixas de rodagem de rodovias, o grau de compactação (K) deve ser rigorosamente de no mínimo 0,98 em toda a profundidade. Em trechos fora das cargas de tráfego, admite-se K=0,95.
Nos pontos de cruzamento da vala com redes ativas perpendiculares (cabos, tubulações), caso o projeto não preveja tubos-camisa protetores, forma-se um colchão de areia. A areia é disposta até metade do diâmetro da tubulação cruzada e por 0,5 m para cada lado do seu eixo, com uma inclinação dos taludes do prisma de areia de 1:1. A qualidade da compactação nesses nós é verificada com 100% de abrangência, elaborando-se em seguida o termo de recebimento de serviços ocultos com a participação da fiscalização técnica.
- Coletar amostras de solo da pilha para confirmação laboratorial da composição granulométrica e do índice de plasticidade.
- Após a compactação da camada, escavar cavas de inspeção (1 cava a cada 50 m de comprimento da vala).
- Realizar medições da massa específica aparente do solo nas profundidades de 0,3; 0,5; 0,9; 1,2 e 1,5 m.
- Ao atingir K=0,98 (sob vias) ou K=0,95 (gramados), emitir o termo de recebimento de serviços ocultos.
5. Requisitos de segurança e proteção ambiental
Apenas pessoal certificado com mais de 18 anos, que tenha recebido treinamento em segurança no trabalho e possua o nível II de qualificação em segurança elétrica, está autorizado a executar trabalhos de terraplenagem mecanizados e operar ferramentas elétricas. Todo o equipamento utilizado deve passar regularmente por inspeção técnica. Ao descarregar solo importado, os caminhões basculantes não devem se aproximar da borda da vala a menos de 1,0 metro. A permanência de pessoas dentro do raio de ação da lança da escavadeira ou da lâmina do trator de esteiras é rigorosamente proibida.
A descida de trabalhadores à vala e sua subida devem ser realizadas exclusivamente através de escadas de acesso padronizadas, instaladas fora das zonas de risco de operação dos equipamentos. Ao realizar reaterro unilateral em espaços laterais adjacentes a muros de contenção ou fundações recém-construídas, o trabalho só pode ser iniciado após a confirmação da estabilidade da estrutura à pressão lateral do solo. É necessário realizar um monitoramento constante do estado dos taludes da vala; ao constatar fissuras longitudinais, os trabalhos devem ser imediatamente interrompidos até o escoramento das paredes.
Do ponto de vista ambiental, não é permitido o uso de maquinário que exceda os limites admissíveis de emissões ou de níveis de ruído em ambientes urbanos. A camada vegetal fértil removida antes do início da obra é armazenada separadamente para posterior recuperação ambiental. Após a conclusão da compactação, a área está sujeita a nivelamento e paisagismo. Recomenda-se a hidrossemeadura de gramíneas (Poa pratensis, Festuca rubra) ou o plantio de árvores com copa densa, respeitando as zonas de proteção das redes de infraestrutura subterrâneas.
- Instalar proteções de segurança padronizadas ao redor da vala, colocar placas de sinalização e providenciar iluminação noturna.
- Colocar balizas de sinalização a uma distância de 1 metro da borda para restringir a área de aproximação de caminhões basculantes.
- Realizar instrução específica à equipe ao executar trabalhos na zona de cruzamento com gasodutos ou cabos energizados.
- Restaurar a camada vegetal fértil e realizar a hidrossemeadura de gramíneas após o término do ciclo construtivo.
6. Organização do trabalho e provisão de recursos
Para assegurar um fluxo tecnológico contínuo, o trabalho é organizado através de equipes integradas. Para o reaterro e compactação de solo não coesivo (grupo I), forma-se uma equipe de 8 pessoas: um operador de escavadeira, um auxiliar de operador, um operador de trator de esteiras e cinco trabalhadores de terraplenagem para a operação de ferramentas manuais. Ao trabalhar com solos coesivos mais densos (grupo II), o número de trabalhadores aumenta, totalizando uma equipe de 9 pessoas.
O transporte do solo para o reaterro é feito por caminhões basculantes com capacidade de 4,5 a 10 toneladas. A produtividade dos compactadores elétricos manuais (tipo sapo) é de cerca de 50 m²/h, enquanto as pesadas placas vibratórias reversíveis podem compactar até 750 m²/h em camadas de até 60 cm. O cronograma da obra deve considerar as pausas operacionais para reposicionamento dos equipamentos e o controle topográfico de cada camada.
O consumo de combustíveis e lubrificantes é padronizado por hora de operação dos equipamentos. Para a escavadeira hidráulica de nivelamento e o trator de esteiras, considera-se o consumo de óleo diesel e óleos de motor, hidráulico e de transmissão. A demanda exata por máquinas é determinada no Projeto de Execução de Obra (PEO), com base no volume de reaterro, raio de transporte logístico do solo e os prazos contratuais para a entrada em operação da rede técnica.
- Distribuir os grupos de trabalhadores para realizar simultaneamente a compactação manual e simétrica dos espaços laterais na frente de trabalho de 50 m.
- Sincronizar a chegada dos caminhões basculantes com solo ao ciclo operacional da escavadeira de nivelamento para evitar inatividade.
- Garantir o rodízio pontual dos operadores de placas vibratórias e compactadores elétricos para cumprir as normas de exposição à vibração localizada.