Ficha Tecnológica: Execução de Muro de Arrimo em Concreto Armado Moldado in Loco
Materiais
- Mistura de concreto classe C12/15 - C15/20 (equivalente a fck 15 MPa), W6, F100
- Aço para armadura de perfil nervurado Ø10 mm (classe 400/500 MPa)
- Eletrodos para soldagem a arco manual Ø4,0 mm
- Madeira serrada de coníferas (espessuras de 15 e 25 mm)
- Lona plástica de polietileno armada PEBD (largura de 2000 mm, 200 µm)
- Geotêxtil sintético não tecido (gramatura de 450 g/m²)
- Brita granítica, graduação 20-40 mm (resistência à compressão M800)
- Areia de construção (módulo de finura conforme projeto)
Equipamentos
- Retroescavadeira (capacidade da caçamba de 0,28 m³, profundidade de escavação até 5,46 m)
- Caminhão basculante (capacidade de carga de 13,0 t)
- Caminhão guindaste (capacidade de carga de 25,0 t)
- Caminhão betoneira (volume útil de 4,5 m³)
- Caçamba para concreto (volume de 1,0 m³)
- Gerador a gasolina trifásico (380/220 V, 11 kW, massa de 150 kg)
- Gerador de solda (posto único, 200 A, 230 V, massa de 90 kg)
- Placa vibratória reversível/unidirecional (força/massa de 90 kg, profundidade até 150 mm)
1. Disposições Gerais e Parâmetros Construtivos
Esta ficha tecnológica foi desenvolvida para o complexo de obras de construção e montagem na execução de muros de arrimo (volume de obra V=100 m³), utilizados para terraceamento, zoneamento, proteção contra erosão e contenção de taludes. A estrutura garante a proteção de aterros rodoviários, encostas e fundações contra os efeitos de movimentações laterais de solos expansivos. Os trabalhos são executados por uma equipe mecanizada em um único turno.
As dimensões de projeto e a profundidade de embutimento da estrutura dependem estritamente da altura do muro e do tipo de solo. Para muros com altura de 0,4–1,5 m, a fôrma e o corpo do muro são embutidos em 1/3 da altura total. Para uma altura de muro de 1,6–2,0 m, o embutimento mínimo é de 0,7 m. A espessura mínima de um muro trapezoidal na parte superior é de 10 cm.
A largura da base (sapata) é calculada com base na capacidade de carga do solo: para solos arenosos e areno-argilosos (solo fofo), é de 1/2 da altura (1:2); para siltes (solo de compacidade média) — 1/3 da altura (1:3); para solos argilosos compactos — 1/4 da altura (1:4). Para armação e estabilização, é permitida a aplicação de telas metálicas galvanizadas de dupla torção em conjunto com a armadura principal.
- Análise da documentação de projeto e determinação da relação necessária entre as dimensões do muro e o tipo de solo.
- Verificação da prontidão tecnológica do canteiro de obras e da disponibilidade da ordem de serviço para a execução da obra.
- Preparação das vias de acesso provisórias, áreas de armazenamento e fornecimento de energia elétrica ao canteiro.
2. Organização do Trabalho, Composição da Equipe e Fornecimento de Materiais
Para garantir o ritmo e a qualidade exigidos para os trabalhos, é mobilizada uma equipe multidisciplinar de 6 pessoas. A composição inclui: dois carpinteiros/armadores de 4ª categoria, dois profissionais de 3ª categoria e dois ajudantes gerais de 2ª categoria. É requisito obrigatório que pelo menos dois membros da equipe possuam certificação de sinaleiro/amarrador. Todos os trabalhadores devem ter habilidades na montagem de armaduras e amarração de nós de acordo com as normas ISO 17660.
O fornecimento de materiais inclui mistura de concreto de classe internacional C12/15 ou C15/20 (equivalente a fck 15 MPa), com índices de impermeabilidade W6 e resistência ao gelo F100. A armação é executada com aço de perfil nervurado com diâmetro de 10 mm (classe 400/500 MPa). Também são utilizadas madeiras serradas de coníferas (espessuras de 15 e 25 mm), lona plástica de PEBD armada (espessura de 200 µm, largura de 2000 mm), brita granítica de graduação 20-40 mm (resistência à compressão M800) e geotêxtil não tecido com gramatura de 450 g/m².
O conjunto de mecanização inclui: retroescavadeira (caçamba de 0,28 m³, profundidade de escavação de 5,46 m), caminhão basculante com capacidade de 13 t, caminhão guindaste (25 t), caminhão betoneira (4,5 m³) com caçamba para concreto (1,0 m³). Equipamentos auxiliares: gerador a gasolina trifásico (11 kW, 150 kg), gerador de solda (200 A, 230 V), vibradores de imersão, régua vibratória a gasolina (1,2 m, 1,2 cv) e placa vibratória (massa de 90 kg, profundidade de compactação de até 150 mm).
- Realização de instrução de segurança (DDS) e distribuição das ordens de serviço entre os membros da equipe.
- Instalação das estações geradoras de energia móveis (11 kW) e verificação do aterramento dos equipamentos.
- Preparação da caçamba de concreto e verificação dos acessórios de içamento do caminhão guindaste.
3. Locação Topográfica e Marcação de Eixos
A base de locação topográfica é recebida mediante termo de aceitação, vinculada a um sistema global ou local de coordenadas e cotas. A locação é realizada em dois planos: horizontal (posição dos eixos e contorno em planta) e vertical (cotas altimétricas a partir das referências de nível - RN). O ponto de referência para estruturas lineares ao longo de vias é o eixo da pista de rolamento.
A marcação dos eixos no terreno é feita por meio de piquetes cravados no solo e arame de aço esticado (ou linha). Para garantir a preservação da locação topográfica durante os serviços de terraplenagem e concretagem, um gabarito de locação é instalado a uma distância de 2 a 3 metros do contorno da futura escavação.
As cotas verticais são transferidas com o auxílio de um nível topográfico. O topógrafo repassa a base de locação ao mestre de obras, que é responsável por sua preservação. Qualquer deslocamento dos piquetes é inaceitável e requer nova verificação instrumental. Após a conclusão desta etapa, é assinado o termo de inspeção da locação topográfica.
- Recebimento dos pontos de referência topográfica do Cliente (no mínimo 10 dias antes do início dos trabalhos).
- Locação física dos eixos longitudinais e transversais do muro, com fixação por meio de piquetes.
- Instalação do gabarito de locação a uma distância segura (2-3 m) e estiramento das linhas de eixo.
- Transferência das cotas altimétricas da referência de nível (RN) de trabalho para os elementos do gabarito.
4. Movimentação de Terra e Escavação da Vala
A escavação da vala de seção retangular é realizada por uma retroescavadeira abaixo da profundidade normativa de congelamento do solo. Para solos de aterro, a profundidade de congelamento é considerada em 1,7 m; para solos argilosos — 1,45 m (os parâmetros são ajustados de acordo com as normas climáticas locais). A largura da vala no fundo deve ser de 0,5 da altura projetada do muro. A extração do solo é feita com descarga em bota-fora ou diretamente em caminhões basculantes.
A escavação mecânica é executada com uma folga em relação à cota de projeto. O acabamento do fundo da vala é realizado exclusivamente de forma manual, seguindo o perfil e nivelamento, com a remoção de excessos ou adição de solo faltante. É estritamente proibido o nivelamento e compactação de solo congelado, bem como de solo com presença de neve e gelo.
A compactação da base do solo é realizada com uma placa vibratória (massa de 90 kg) em 8 passadas sobre o mesmo rastro. O processo continua até atingir um grau de compactação (GC) de pelo menos 0,98. A qualidade dos trabalhos é confirmada por controle instrumental e pela emissão de um termo de inspeção de serviços ocultos.
- Desmontagem das linhas de eixo que possam interferir, com rigorosa preservação dos piquetes de controle.
- Escavação mecanizada do solo com retroescavadeira, deixando uma camada de proteção (folga).
- Acabamento manual do fundo da vala até as cotas de projeto, com controle por nível topográfico.
- Compactação da base do solo descongelado com placa vibratória (mínimo de 8 passadas) até atingir GC=0,98.
5. Execução da Camada de Base Drenante
Para drenar a umidade da estrutura de concreto e evitar o empolamento por congelamento, é executada uma camada de base drenante. Sobre o fundo compactado da vala, estende-se um geotêxtil sintético não tecido (gramatura de 450 g/m²). O material é posicionado com sobreposição e obrigatoriamente dobrado sobre as paredes verticais da vala até a altura da futura base de areia e brita.
A areia de construção é entregue por caminhões basculantes no pátio da obra, de onde é transportada para a vala pela retroescavadeira. O espalhamento da areia sobre o geotêxtil é feito manualmente (com pás e rodos). Para atingir a espessura de projeto da camada compactada h=0,15 m, a areia é lançada com espessura h=0,17 m em estado solto (aplica-se um coeficiente de empolamento inicial K=1,10).
A compactação da camada de areia é realizada com placa vibratória, com umedecimento em camadas, se necessário. Após a aceitação do colchão de areia, executa-se de forma semelhante a camada de brita (graduação 20-40 mm, resistência M800), sobre a qual é lançada uma camada de concreto magro (regularização), que atua como uma barreira de impermeabilização confiável e uma base nivelada para a montagem das fôrmas.
- Instalação dos rolos de geotêxtil no fundo da vala com fixação das bordas nos taludes.
- Lançamento da areia de construção na vala e seu nivelamento manual, considerando o coeficiente de empolamento (1,10).
- Compactação da areia com placa vibratória até atingir a espessura de projeto de 150 mm.
- Lançamento de brita com graduação de 20-40 mm e concretagem da camada de regularização para a montagem da armadura.
6. Serviços de Fôrmas, Armação e Concretagem (Ciclo Geral)
A montagem das fôrmas modulares em quadros é realizada sobre a base de concreto magro preparada, respeitando o cobrimento da armadura (com o uso de espaçadores plásticos). A gaiola de armadura é montada com aço de perfil nervurado (10 mm), e as emendas são feitas por soldagem a arco manual (eletrodos de 4,0 mm) ou com arame recozido. Os painéis das fôrmas são fixados com tirantes e escoras para suportar a pressão hidrostática do concreto fresco.
O lançamento do concreto classe C15/20 (W6, F100) é realizado com o auxílio de um caminhão betoneira e uma caçamba basculante com capacidade de 1,0 m³, movimentada por caminhão guindaste. O lançamento da mistura é feito em camadas horizontais com espessura não superior ao comprimento da parte vibratória do vibrador de imersão. A compactação é considerada suficiente quando cessa o recalque da mistura, a liberação de bolhas de ar e surge a nata de cimento na superfície.
A cura do concreto recém-lançado inclui a cobertura com lona plástica de PEBD armada (espessura de 200 µm) para evitar a perda de umidade. A desforma ocorre apenas após o concreto atingir a resistência de desforma (conforme normas internacionais para concreto moldado in loco). A etapa final é a impermeabilização da face posterior do muro com materiais em rolo (manta asfáltica, membranas) e o reaterro dos tardozes com solo drenante.
- Instalação das telas de armadura e gaiolas espaciais, garantindo o cobrimento de concreto.
- Montagem e prumo dos painéis modulares de fôrma, aplicação de desmoldante nas faces em contato com o concreto.
- Concretagem da estrutura em camadas com vibração obrigatória usando vibradores de imersão.
- Cura do concreto (cobertura com lona PEBD), desforma subsequente e impermeabilização.