Ficha tecnológica para a execução de fundações corridas e paredes de subsolo em concreto armado
Materiais
- Concreto pesado, classes C20/25 – C25/30
- Telas soldadas e barras de aço para as armaduras espaciais
- Espaçadores plásticos ou de concreto com fibras para o cobrimento da armadura
- Arame de aço recozido para amarração
- Agente desmoldante emulsionado para os painéis de fôrma
- Aditivos anticongelantes: sais de cloreto (até 2%), potassa, nitrito de sódio (até 5%)
- Aditivos plastificantes (lignossulfonatos, naftenatos ou similares)
- Materiais isolantes térmicos e de vapor: lona plástica de polietileno, lã mineral, placas de poliestireno expandido (EPS)
Equipamentos
- Guindaste sobre esteiras com capacidade de 40 t
- Caminhões betoneira e caminhões basculantes com capacidade correspondente
- Caminhão bomba de concreto com lança de distribuição móvel
- Caçambas basculantes para concreto com capacidade de 0,5 a 2,0 m³
- Vibradores de imersão elétricos com eixo flexível
- Fôrma metálica modular padronizada e reutilizável
- Bancadas/gabaritos para a pré-montagem das armaduras espaciais
- Equipamento para cura elétrica: transformadores rebaixadores 380V/50-106V, eletrodos de fita, fôrmas termoativas
1. Trabalhos preparatórios e organização do canteiro de obras
Antes do início da construção das estruturas monolíticas (usando como exemplo um edifício com dimensões entre eixos de 32,1 x 12 m), é necessário concluir um conjunto de medidas preparatórias. A base da escavação deve ser formalmente recebida mediante auto de vistoria, com verificação topográfica obrigatória e execução de uma camada de regularização em concreto magro. Realiza-se a organização do sistema de drenagem de águas superficiais e o nivelamento das vias de acesso para equipamentos pesados.
As condições climáticas do local (incluindo zonas com temperatura de projeto no inverno de até -34 °C) exigem a preparação de áreas especiais para armazenamento e pré-montagem de componentes. As áreas de operação dos equipamentos de elevação (guindastes sobre esteiras com capacidade a partir de 40 t) são demarcadas levando em consideração as rotas de movimentação, locais de posicionamento dos equipamentos de montagem e pontos de conexão dos postos de soldagem.
A locação topográfica dos eixos é acompanhada pela marcação com tinta indelével na superfície do concreto de regularização para a fixação precisa do plano de trabalho dos painéis de fôrma. O estoque de materiais (telas soldadas, kits de fôrmas modulares) no canteiro deve garantir a execução ininterrupta dos trabalhos por pelo menos dois turnos de trabalho.
- Organização da drenagem de águas superficiais e execução das vias de acesso.
- Execução da camada de regularização em concreto e recebimento formal da base da escavação.
- Locação topográfica dos eixos e marcação das linhas de referência na base de concreto.
- Instalação de iluminação provisória, conexão dos postos de soldagem e preparação das bancadas de pré-montagem.
2. Trabalhos de armação e montagem das armaduras
A armação das sapatas e das paredes do subsolo é executada utilizando telas soldadas e armaduras espaciais (gaiolas) pré-fabricadas. Para as paredes do subsolo, a montagem das armaduras é realizada em bancadas especializadas (gabaritos). As telas são posicionadas no gabarito, fixadas com arame recozido na posição de projeto e, em seguida, ponteadas com solda elétrica de acordo com os requisitos da norma ISO 17660 para juntas soldadas de armaduras.
As armaduras prontas são içadas pelo guindaste e armazenadas dentro do raio de alcance. Na armação das sapatas, as telas são desenroladas diretamente no local, com a instalação obrigatória de espaçadores plásticos ou de concreto com fibras para garantir rigorosamente o cobrimento nominal do concreto.
A montagem da armadura das paredes do subsolo é realizada após a instalação dos painéis de fôrma da sapata. A armadura espacial é posicionada com o guindaste e amarrada de forma segura com arame recozido às barras de espera ou à tela inferior. Todo o conjunto de trabalhos é executado por uma equipe especializada, que inclui o operador do guindaste, sinaleiros e armadores qualificados.
- Posicionamento das telas de armadura da sapata sobre os espaçadores para garantir o cobrimento.
- Pré-montagem das telas das paredes do subsolo no gabarito utilizando amarração e solda elétrica.
- Posicionamento da armadura da parede do subsolo na posição de projeto com o auxílio do guindaste.
- Emenda e fixação da armadura da parede à armadura da sapata.
3. Trabalhos de fôrmas e tolerâncias
Para conformar a geometria das fundações, utiliza-se fôrma metálica modular padronizada e reutilizável. A instalação começa com a fixação dos painéis da sapata utilizando presilhas de aperto e cantoneiras de montagem. As longarinas são fixadas aos painéis da caixa inferior com ganchos tensores e unidas por cunhas de aperto no esquema 'tipo moinho'.
A montagem das fôrmas segue proporções normativas rigorosas: a cada 60 cm de altura do painel instala-se 1 linha de longarinas; para cada metro linear de superfície lateral são montados 4 ganchos tensores e 10 presilhas de mola; para cada 2 metros lineares de comprimento da fundação é necessária 1 escora de prumo. O alinhamento da fôrma é feito rigorosamente pelos eixos topográficos com fixação por pinos metálicos na base.
A desforma só é permitida após o concreto atingir a resistência de 1,0–1,5 MPa. A desmontagem é feita na sequência estritamente inversa: remoção das escoras, retirada das cunhas, remoção das cantoneiras de montagem, desmontagem das vigas de suporte e painéis. Após a desmontagem, as superfícies de trabalho são limpas com escovas de aço e revestidas com desmoldante à base de emulsão.
- Instalação e fixação dos painéis da sapata, montagem das longarinas e cunhas de aperto.
- Marcação das linhas de referência nas bordas dos painéis inferiores e instalação das vigas de suporte com espaçamento igual à espessura do painel.
- Instalação dos painéis das paredes do subsolo sobre as vigas de suporte (em lotes de 2 a 3 metros).
- Alinhamento e fixação dos painéis na posição vertical com escoras de prumo.
4. Lançamento e adensamento do concreto
O fornecimento do concreto (classes recomendadas C20/25 – C25/30) é realizado por caminhões betoneira. No lançamento com guindaste, utilizam-se caçambas basculantes com capacidade de 2 m³, içadas por lingas de duas pernas com capacidade para 5 t. Como alternativa, emprega-se caminhão bomba de concreto com lança de distribuição, permitindo a concretagem a partir de 8 pontos de parada e operação cíclica.
O concreto é lançado continuamente em camadas horizontais com espessura de 0,3 a 0,5 m. Cada camada é obrigatoriamente submetida a vibração com vibradores de imersão elétricos. O mangote do vibrador deve penetrar na camada anterior já lançada (ainda plástica) a uma profundidade de 50 a 100 mm para garantir a homogeneidade da junta. O espaçamento de reposicionamento do vibrador não deve exceder 1,5 vezes o seu raio de ação.
Para evitar a formação de juntas frias, a sobreposição das camadas deve ocorrer antes do início da pega da camada anterior (geralmente com 1 a 2 horas de intervalo entre a sapata e a parede). Para paredes muito extensas, a concretagem é feita em panos de 10 a 12 m com a instalação de fôrmas de separação, criando chaves de cisalhamento nas juntas de concretagem. A cura do concreto inclui a proteção contra a insolação e umedecimento regular conforme os procedimentos de laboratório (em conformidade com a série de normas ISO 22966).
- Recebimento do concreto nas caçambas basculantes ou no funil da bomba de concreto.
- Lançamento do concreto em camadas de 0,3 a 0,5 m a partir de plataformas de trabalho suspensas.
- Adensamento de cada camada com vibrador de imersão, penetrando de 5 a 10 cm na camada anterior.
- Cobertura das superfícies expostas e garantia da cura térmica e úmida do concreto.
5. Execução de trabalhos no inverno
Quando a temperatura média diária for inferior a +5 °C e a mínima inferior a 0 °C, introduzem-se os protocolos de concretagem de inverno. Com um módulo de superfície de projeto da estrutura de 4,37 m⁻¹, aplicam-se métodos de conservação de calor (garrafa térmica), cura elétrica ou o uso de aditivos anticongelantes. O tempo de mistura na central e o tempo de vibração são aumentados em pelo menos 25%.
Método de aditivos químicos: utilizam-se sais de cloreto (até 2% da massa do cimento), potassa ou nitrito de sódio (até 5%) em conjunto com plastificantes. A mistura é preparada com agregados aquecidos; a temperatura na saída é de +25…+35 °C, e no momento do lançamento não deve ser inferior a +20 °C (permitido para temperaturas externas de até -20 °C).
A cura elétrica é realizada por dois métodos. O método de pré-aquecimento ('garrafa térmica quente') utiliza tensão de 380 V para aquecer a mistura nas caçambas até +70…+90 °C em 5 a 10 minutos. O aquecimento periférico por eletrodos utiliza tiras de aço (largura de 2 a 5 cm, espessura de 1 a 2 mm) sob tensão de 50 a 106 V. A taxa de aumento da temperatura do concreto não deve exceder 8 °C/hora para evitar deformações térmicas. O controle da temperatura é realizado a cada hora nas primeiras 3 horas, e depois a cada 2 a 3 horas.
- Aquecimento do concreto em caçambas térmicas isoladas até +70…+90 °C (no método de garrafa térmica quente).
- Lançamento rápido e contínuo do concreto aquecido com altura de queda livre não superior a 1,5 m.
- Conexão de eletrodos superficiais ou fôrmas termoativas, com aumento gradual da tensão de 50-60 V para 106 V.
- Cobertura das superfícies expostas com barreira de vapor e uma camada de material isolante térmico imediatamente após a concretagem.
6. Organização do trabalho e segurança no trabalho
Para a execução abrangente dos trabalhos monolíticos, são formadas equipes especializadas. A equipe Nº 1 (operador de máquina, montadores, sinaleiros) é responsável pelo descarregamento e amarração. A equipe Nº 2 (armadores, soldadores) realiza a amarração e a soldagem das telas. A equipe Nº 3 (carpinteiros) executa a montagem, desmontagem e lubrificação das fôrmas. As equipes Nº 4 e Nº 5 lançam o concreto utilizando o guindaste ou a bomba, respectivamente.
A montagem de elementos de fôrma em vários níveis só é permitida após a fixação rígida do nível inferior. O armazenamento de materiais sobre os estrados da fôrma é estritamente proibido. A altura de queda livre do concreto a partir da caçamba não deve ultrapassar 1 m em relação à superfície do concreto recém-lançado.
Especial atenção é dada ao trabalho com as tubulações de concreto: a montagem, desmontagem e limpeza dos tubos só são permitidas após a despressurização total até a pressão atmosférica. Durante a purga das tubulações com ar comprimido, todo o pessoal não envolvido nesta operação deve ser afastado para uma distância segura de, no mínimo, 10 metros.
- Verificação diária por turno do bom estado das alças de içamento, lingas, caçambas e elementos de andaimes.
- Isolamento das áreas de despressurização da tubulação de concreto e das zonas de pré-montagem das armaduras.
- Garantia do empacotamento das barras de aço com proteção nas pontas em passagens com menos de 1 m de largura.
- Controle do desligamento dos vibradores elétricos durante a movimentação e proibição de puxá-los pelos cabos de energia.