Ficha Tecnológica: Execução de paredes e lajes em concreto armado moldado in loco com fôrmas modulares de alumínio de grandes painéis
Materiais
- Concreto usinado (classe internacional C20/25 - C25/30, fluidez S3-S4 / abatimento do cone 100-220 mm)
- Armaduras tridimensionais e planas (barras com diâmetro de 12-14 mm)
- Telas soldadas (planas, tipo C-14, C-15, C-16)
- Painéis modulares de fôrma de alumínio (chapa de contato - compensado plastificado de 18 mm)
- Espaçadores plásticos para cobrimento do concreto (para paredes e lajes)
- Desmoldante emulsionado para tratamento da face de contato dos painéis de fôrma
- Arame recozido (para amarração das armaduras)
Equipamentos
- Grua de torre (capacidade de carga de 5 t, alcance máximo da lança de 20 m)
- Caminhão-bomba de concreto com lança de distribuição (alcance de lançamento: 19 m horizontal, 22 m vertical)
- Caminhão betoneira com volume geométrico do balão a partir de 6,1 m³
- Vibrador de imersão eletromecânico (comprimento da agulha vibratória de 440 mm, peso de aprox. 15 kg)
- Caçamba para concreto (capacidade de 1,0 m³, com abertura em setor e descarga lateral)
- Transformador de solda (tensão da rede elétrica de 220/380 V)
- Compressor de ar portátil (potência nominal de 32 kW, para fornecimento de ar comprimido)
- Pulverizador pneumático de pintura (capacidade de 20 l, para aplicação do desmoldante na fôrma)
1. Campo de aplicação e soluções construtivas
A ficha tecnológica foi desenvolvida para a execução de estruturas de concreto armado moldado in loco (paredes e lajes) de pavimentos tipo de edifícios residenciais e comerciais. Adotou-se como modelo de referência um bloco de quatro pavimentos com dimensões entre eixos de 33,6 x 13,2 m. A estrutura do edifício baseia-se em fundações contínuas de concreto moldado in loco. Espessuras de projeto das estruturas: paredes portantes externas — 500 mm, paredes internas — 220 mm, lajes entre pavimentos — 160 mm. Para a concretagem, utiliza-se uma mistura de concreto de classes internacionais C20/25 – C25/30.
O principal equipamento tecnológico é a fôrma modular de grandes painéis em ligas leves de alumínio. A estrutura dos painéis é feita de perfil de alumínio extrudado, e a face de contato é de compensado plastificado com 18 mm de espessura. A padronização das conexões de travamento permite acoplar os elementos com os sistemas dos principais fabricantes mundiais. A fôrma das lajes é composta por vigas de distribuição longitudinais (160 mm de altura) e transversais (140 mm), torres de escoramento com 1,2 m de largura, escoras telescópicas com macacos de rosca e forcados.
Os trabalhos são realizados no período de verão em temperaturas positivas, em regime de turno único. Em caso de queda da temperatura média diária abaixo de +5 °C, o processo deve ser ajustado com a introdução de métodos de concretagem no inverno (cura térmica elétrica, uso de aditivos anticongelantes, cobertura com mantas térmicas) de acordo com os requisitos normativos aplicáveis para a execução de estruturas de concreto (análogo à EN 13670).
- Análise da documentação de projeto e verificação das dimensões do edifício (entre eixos 33,6 x 13,2 m).
- Aprovação das especificações para painéis modulares de alumínio, elementos de fixação (escoras de prumo, grampos, tirantes) e chapa de compensado (18 mm).
- Planejamento do cronograma de fornecimento de mistura de concreto (classe recomendada C25/30) e vergalhões de aço para o canteiro de obras.
2. Serviços preliminares e armazenamento
Antes do início da montagem principal na frente de serviço, deve-se concluir um conjunto de medidas organizacionais e técnicas. Realiza-se a locação topográfica dos eixos com a transferência das cotas das paredes para a laje. A superfície da base é nivelada, limpa de entulhos de obra e da nata de cimento. O contorno de instalação dos painéis é marcado com tinta lavável, traçando-se linhas que fixam a posição de trabalho da fôrma.
Os kits de fôrmas são entregues no canteiro de obras em condições totalmente prontas para uso, sem necessidade de retrabalho. Os elementos são alocados na área de alcance da grua de torre (capacidade de carga a partir de 5 t, com alcance de lança de no mínimo 20 m). O armazenamento é feito em áreas niveladas sob cobertura para evitar a corrosão atmosférica e a degradação do compensado.
Os painéis são empilhados com altura não superior a 1,0–1,2 m, com o uso obrigatório de separadores de madeira entre as camadas. Os acessórios menores (fechos excêntricos, porcas, arruelas, suportes) são armazenados separados por tamanho em caixas metálicas ou de madeira do próprio canteiro. O sistema de fôrmas deve ser tratado com desmoldante emulsionado específico antes de cada montagem.
- Limpeza da superfície da laje concretada anteriormente, removendo entulhos e nata de cimento.
- Locação topográfica dos eixos com marcação a tinta permanente para os contornos das futuras paredes.
- Recebimento e triagem dos elementos de fôrma: empilhamento dos painéis sobre separadores de madeira (altura da pilha de até 1,2 m).
3. Serviços de fôrma
A montagem da fôrma de grandes painéis começa com a fixação de réguas guias (mestras) ao longo do contorno da estrutura. A face interna da régua é rigorosamente alinhada com a face externa da futura parede de concreto moldada in loco. Após a conferência das réguas, a grua de torre movimenta os painéis lineares (dimensões de até 3,0 x 2,4 m) e de canto. A conexão dos elementos adjacentes é feita por meio de fechos excêntricos na superfície externa do perfil, garantindo uma junta estanque e a rigidez da estrutura.
A execução da fôrma das paredes é realizada em duas etapas: inicialmente, monta-se a face externa da parede em toda a altura do pavimento. Após a instalação, amarração e inspeção formal das armaduras, monta-se a face oposta (interna) da fôrma com a instalação de tirantes e tubos passadores de PVC. Os painéis da camada superior são montados com o uso de andaimes de múltiplos níveis. O ajuste do prumo é feito com escoras de prumo ajustáveis.
A fôrma das lajes é montada a partir de torres de escoramento (largura de 1,2 m), escoras telescópicas com forcados, sobre as quais são apoiadas vigas longitudinais (h=160 mm) e transversais (h=140 mm). Sobre a grelha de vigas é instalada a chapa de compensado plastificado. A desforma dos sistemas é permitida exclusivamente após o concreto atingir a resistência de desforma normatizada. A separação dos painéis da superfície do concreto é realizada por meio de macacos de rosca integrados; o uso de equipamentos de elevação para arrancar a fôrma é estritamente proibido.
- Montagem das réguas guias ao longo do contorno da estrutura a ser concretada.
- Instalação dos painéis de fôrma de uma das faces da parede em toda a altura do pavimento e fixação com aprumadores.
- Instalação da face oposta da fôrma após a montagem da armadura, fixando os painéis com tirantes.
- Montagem da fôrma das lajes: instalação das torres de escoramento, distribuição das vigas (160 mm e 140 mm) e fixação do compensado.
- Desforma utilizando macacos de rosca para o destacamento cuidadoso do painel em relação ao concreto.
4. Serviços de armação
As peças de armadura (telas soldadas e armações tridimensionais, malhas C-14...C-16, barras avulsas com diâmetro de 12-14 mm) são transportadas para a área de montagem por grua de torre. Elementos com peso de até 50 kg podem ser montados manualmente. As armações tridimensionais são transportadas com espaçadores temporários de madeira para evitar deformações. A montagem de nós pré-fabricados de grande porte é realizada com gabaritos.
Antes da instalação das armações, é feita uma marcação com giz na superfície da fôrma indicando o espaçamento das barras. Para a fixação temporária da armadura na posição vertical, utilizam-se sargentos. A garantia do cobrimento de projeto do concreto (distância entre a armadura e a chapa da fôrma) é obtida através da instalação de espaçadores plásticos a cada 1,0–1,2 m para estruturas verticais e 0,8–1,0 m para lajes.
A emenda dos elementos verticais e horizontais das armaduras de trabalho é feita predominantemente por amarração ou solda a arco (cumprindo os requisitos da norma ISO 17660). A armadura concluída deve passar obrigatoriamente por controle instrumental (verificação de diâmetros, espaçamento, geometria) com a emissão de um termo de liberação de serviços ocultos antes do início da concretagem.
- Limpeza das barras removendo ferrugem e sujeira; verificação da conformidade dos diâmetros (12-14 mm) e das classes do aço com o projeto.
- Marcação com giz, na face da fôrma já montada, do espaçamento para instalação das telas e armações.
- Montagem dos elementos de armadura utilizando sargentos para fixação temporária e solda/amarração das emendas.
- Instalação de espaçadores plásticos para garantir o cobrimento nominal (espaçamento de 1,0-1,2 m para paredes, 0,8-1,0 m para lajes).
5. Lançamento e adensamento do concreto
A entrega do concreto usinado na obra é realizada por caminhões betoneira com volume de balão a partir de 6,1 m³. O lançamento do concreto na estrutura é executado por dois métodos: bomba de concreto (alcance horizontal de 19 m, vertical de 22 m) ou grua de torre utilizando caçambas com abertura em setor (capacidade de 1,0 m³). Para a bomba de concreto, exige-se concreto com abatimento do tronco de cone (Slump) de 100–220 mm (classe S3-S4 conforme EN 206/ISO 22966) para evitar segregação e entupimento da tubulação.
A concretagem das paredes é feita em trechos entre juntas de concretagem ou vãos de portas. O concreto é lançado em camadas horizontais de 30–40 cm de espessura. O intervalo entre o lançamento de camadas adjacentes deve ser de 40 minutos a 2 horas (antes do início da pega da camada anterior). O adensamento é realizado por vibradores de imersão com agulha de 440 mm de comprimento. O vibrador deve penetrar de 5 a 10 cm na camada lançada anteriormente para garantir o monolitismo da junta. O espaçamento das inserções do vibrador não deve exceder 1,5 do seu raio de ação.
A conclusão da vibração em um ponto é determinada pelo fim do abatimento da mistura e pelo aparecimento da nata de cimento na superfície. O contato da agulha do vibrador com a armadura e a chapa da fôrma não é permitido, a fim de evitar o deslocamento da armadura e danos ao compensado. Nos cantos da estrutura, é necessário um adensamento manual suplementar. A circulação de pessoas sobre as lajes recém-concretadas só é permitida após o concreto atingir uma resistência à compressão de pelo menos 1,5 MPa (15 kgf/cm²).
- Verificação do funcionamento dos equipamentos (bomba de concreto, grua, vibradores de imersão) e liberação dos serviços ocultos.
- Lançamento da mistura de concreto (abatimento 100-220 mm) em camadas sucessivas de 30-40 cm de espessura.
- Adensamento do concreto com vibradores de imersão, penetrando a agulha de 5 a 10 cm na camada inferior.
- Retirada do vibrador em ritmo lento (sem desligar o motor) para permitir o preenchimento dos vazios.
- Garantia de cura úmida para o concreto recém-lançado e proteção contra danos mecânicos.
6. Controle de qualidade e tolerâncias
O controle operacional abrangente é realizado em todas as etapas da execução dos serviços. Antes da concretagem, verifica-se o deslocamento dos eixos da fôrma — a tolerância é de no máximo 8 mm. O desvio de prumo da fôrma de parede montada, em toda a altura do pavimento, não deve exceder 20 mm. O aparato instrumental de controle inclui paquímetros, níveis de bolha, níveis ópticos e teodolitos.
As tolerâncias na armação são rigidamente regulamentadas: o deslocamento das barras de armadura não deve ultrapassar 1/5 do maior diâmetro da barra montada. Para o cobrimento do concreto: com espessura de projeto superior a 15 mm, admite-se desvio de ±15 mm (salvo determinação em contrário pelas normas locais de construção); com espessura igual ou inferior a 15 mm, rigorosamente ±3 mm. O desvio dos eixos das armaduras verticais é limitado a 5 mm.
A qualidade do concreto usinado é controlada pelo laboratório de obra. No recebimento no canteiro, mede-se o abatimento (Slump Test de 100–220 mm) e a temperatura da mistura. Durante a concretagem, realiza-se o controle visual do adensamento (pelo fim do surgimento de bolhas de ar). É obrigatória a moldagem de corpos de prova (cilíndricos/cúbicos) para ensaios laboratoriais de resistência à compressão aos 7 e 28 dias.
- Verificação instrumental dos desvios de prumo das fôrmas de paredes (tolerância de 20 mm).
- Controle do cobrimento do concreto com régua ou trena (tolerância de ±3 mm para cobrimento ≤ 15 mm).
- Realização do ensaio de abatimento do tronco de cone (Slump Test) de cada lote de concreto antes do bombeamento.
- Moldagem de corpos de prova de concreto para ensaios de resistência à compressão em prensa.
7. Organização do trabalho e composição das equipes
A eficiência do processo é garantida pela divisão clara do trabalho e pelo cumprimento dos requisitos de qualificação. Os serviços de montagem e desmontagem das fôrmas são executados por uma equipe especializada de quatro pessoas: um montador de 4º nível, um de 3º nível e dois sinaleiros-amarradores de 2º nível. Essa equipe é responsável pela instalação dos painéis, seu alinhamento, fixação e posterior desforma e limpeza.
Os serviços de armação são designados a uma equipe de seis pessoas: um armador de 6º nível (líder), quatro armadores de 5º nível e um soldador. Exige-se alta qualificação devido à necessidade de fixação espacial precisa de nós complexos e da execução de soldas de responsabilidade.
A concretagem é realizada dependendo do método de lançamento. Caso se utilize grua de torre e caçambas, é necessária uma equipe de cinco concretadores para recebimento, distribuição e vibração do concreto. Com o lançamento por bomba de concreto, a equipe é otimizada para três pessoas: o operador da bomba, o ajudante (direcionando o mangote) e um concretador operando o vibrador de imersão.
- Diálogo Diário de Segurança (DDS) para as equipes antes do início do turno (com emissão de Permissões de Trabalho para serviços em altura).
- Distribuição de tarefas: montadores (içamento e nivelamento dos painéis); armadores (amarração das telas); concretadores (recebimento e adensamento da mistura).
- Fornecimento de EPIs aos trabalhadores: capacetes de segurança, cintos tipo paraquedista, luvas de borracha e botas de PVC (para concretadores).